“Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição de minhas mãos” (2 Tm 1.6)
Auxiliares, Diáconos e Presbíteros - ministério, vocação e chamada
Quando o assunto a ser tratado diz respeito ao ministério da Palavra, quer seja ele exercido por presbítero, diácono ou pastor, alguns pressupostos precisam ser levados em conta. Isso se torna mais importante ainda quando se constata que vivemos uma crise ministerial no atual momento. Por exemplo, Bill McCartney, diretor de um grande ministério para homens, fez uma pesquisa entre pastores americanos e descobriu dados assustadores:
1. 80% crêem que o exercício do ministério tem empobrecido sua vida familiar.
2. 33% crêem que a igreja é responsável pelos desastres familiares em suas famílias.
3. 50% sentem-se incapazes para o exercício ministerial.
4. 90% rejeitam o treinamento que receberam, acham que os seminários são inadequados para a tarefa de treinar pastores.
5. 70% têm uma auto-estima mais baixa hoje do que quando começaram o ministério.
6. 37% estiveram ou estão envolvidos em uma aventura sexual ilícita com membros de sua igreja.
7. 70% disseram que não tem um só amigo.
8. 40 % pensam seriamente em desistir do ministério.
Reflexos no Púlpito
O jornal Preaching and Pulpit Digest fez um estudo sobre o que os pastores estão pregando e constatou o seguinte;
1. Em 24,5 % dos sermões o conteúdo e a organização obedeciam ao texto bíblico.
2. Em 22,5% dos sermões o conteúdo era bíblico, mas era infiel ao texto lido.
3. Em 39% dos sermões nem o conteúdo nem a organização obedeciam ao texto, mas poderiam, com algum esforço, ser identificado como uma mensagem bíblica.
4. Em 14% dos sermões nem o conteúdo nem a organização eram bíblicos e sua mensagem também não poderia ser identificada como cristã.
As conseqüências dessa crise são geradas pela influência e pressão da cultura contemporânea, também denominada de pós-moderna sobre o ministério. A cultura pós-moderna tem provocado na sociedade um efeito corrosivo e devastador. Vejamos alguns deles:
A morte dos ideais – Não se fundamenta em nada. Carece de certezas absolutas. Das entranhas da democracia surge o individuo Contemporâneo, individualista e narcisista, mais preocupado com consigo mesmo do que com o outro.
Sentimentalismo – a Cultura Contemporânea significa uma ruptura com todos os formalismos da cultura moderna. Significa a primazia do inconsciente, do corporal, do desejo e do sentimento.
Crise ética – Não há moralidade, mas sim a busca desenfreada do prazer. Os sentimentos devem ser manifestados sem regras nem limites. O que determina a moralidade são as preferências e os sentimentos de cada um. O fim último da vida é para o Homem Contemporâneo conseguir prazer. A sociedade Contemporânea aumenta o numero de opções e a possibilidade de escolha. O balcão de ofertas e apresenta ao gosto do cliente. O ideal é fazer idêntico o que era diferente.
Crescimento do narcisismo – O individualismo da modernidade que era competitivo na economia, sentimental no doméstico, revolucionário no político e artístico, se transformou na cultura Contemporânea em um individualismo puro e duro, sem os valores morais e sociais da família. O próximo já não é o outro, mas eu mesmo.
O organismo deve está sempre jovem e em perfeito funcionamento, igual aos automóveis. Não se aceita a velhice. O velho é aquele que não pode desfrutar de corpo jovem. Daí que os anciãos hajam inaugurado essa terrível infância chamada de terceira idade. O corpo assassinou o espírito como Caim assassinou Abel.
Fracasso do desenvolvimento pessoal – é o culto à popularidade e a aparência. O culto às celebridades é a fé suprema e a força para viver de milhões de jovens ocidentais. Em uma sociedade marcada por famílias cada vez mais desestruturadas, os jovens e adolescentes encontram em um grupo a identificação sócio-afetiva que parece fornecer-lhes essa segurança de que são carentes em seu próprio ambiente familiar.
Modismos – estamos no reino do passageiro. O império do efêmero. Se anteriormente as ideologias exigiam a seus sustentadores sacrifício e abnegação, atualmente a moda somente procura o bem estar imediato das pessoas. Está na moda mudar de ideai, de partido, de equipe, de trabalho, de sexo e de religião. O culto à moda conduz a era do vazio existencial.
Perdida a fé na história – A antiga crença de certos historiadores de que o conhecimento do passado era a chave do futuro foi substituído hoje pela convicção de que os conhecimentos históricos só apontam a um saber incerto do passado e não dizem absolutamente nada acerca do que está por vir. Esta é precisamente a desgraça do homem Contemporâneo. Sem memória coletiva, nem individual, o Contemporâneo é um individuo sem identidade que renuncia a ela voluntariamente porque não tem consciência de sua importância e não quer utilizar sua capacidade racional para compreender a si mesmo.
A Relevância do Ministério - 1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9
1. Fundamentação – “fiel é a palavra”, isto é, digna de ser recebida (1 Tm 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 3.8). Esta frase tem a ver com as doutrinas vitais. A vocação pastoral está na categoria das doutrinas vitais do Novo Testamento. Todo ministério bem sucedido tem como fundamentação a palavra de Deus. Dietrich Bonhoffer dizia que “a palavra de Deus não necessita de enfeites”.
2. Motivação – “aspira ao episcopado”. Tem a ver com aspiração e vocação. O termo grego significa esticar-se, estender a mão. A palavra grega oregetai se refere ao desejo externo. Alguém que se esforça para alcançar algo. Já a palavra grega epithymei se refere ao desejo interno. Uma paixão forte. Estas duas palavras ilustram o tipo de homem que pode exercer o ministério, aquele que busca com dinamismo externo porque está motivado por um desejo forte em seu interior. “ Se você puder fazer outra coisa, faça,mas se não, então abrace o ministério” (Spurgeon). “Fuja do ministério pastoral, mas se não conseguir fugir então abrace-o” (Alan Jones).
3. Função – episkope, episkopeo, significa dar atenção a, prover. Significa também inspeção, visitação, cargo de supervisão. Estes significados deram o sentido de cargo de liderança. Tem a ver com a função ou oficio e não com a hierarquia. (At 20.17; 20.28; Tit 1.5-9; 1 pe 5.1,2). A.T. Robertson diz que a palavra ESPISKOPE, fala da “condição de supervisor” como em At. 1.20. Judas, por exemplo, “estava na condição de apóstolo”, mas perdeu isso quando agiu de forma contrária a sua vocação. No Novo Testamento esta palavra não tem o sentido monárquico como se encontra em Inácio de Antioquia, de um bispo presidindo sobre os demais.
4. Padronização – “dei”, “é necessário”. Tem a ver com o dever, custo, preço. Paulo primeiramente fala da relevância do ministério e aqui mostra o que é necessário para alguém exercê-lo. A palavra fala da necessidade lógica de acordo com as necessidades prementes das circunstâncias. “Se não podes viver a altura das normas e exigências do ministério, sai dele. Esse não é o teu lugar” (Ed Murphy).
5. Qualificação. Aqui Paulo lista as qualidades que um ministro precisa possuir:
5.1.Irrepreensível – anepilemptos – “que não pode ser preso como delinqüente”. Sem acusação válida. Anenkletos – Não se refere a perfeição livre de pecado, mas a uma vida pessoal que está acima de qualquer acusação legítima e de todo escândalo público. Alguém além da possibilidade de ser apanhado em falta, em um escândalo ou em algum vício.
5.2.Marido de uma só mulher – “mias gynaikos aner” – “homem de uma única mulher ou também fiel a sua esposa. Muitos intérpretes acreditam que esta recomendação não se refere ao estado civil, mas à pureza moral e sexual.
Interpretações mais comuns dessa passagem:
a) O pastor não pode ser polígamo;
b) Não pode se casar de novo se a esposa falecer;
c) Deve ser fiel a uma só mulher;
d) Não pode ser solteiro;
e) Não pode se casar, mas manter o celibato, pois a Igreja é a Esposa do Cordeiro.
As interpretações “a” e “c” são as mais aceitas.
5.3.Temperante – Gr. Nephalios – sóbrio, de mente limpa, equilibrado. O grego original diz “sem vinho”, mantendo, portanto, aqui o sentido metafórico para comunicar a qualidade de “alerta”, “vigilante”, “cuidadoso” ou com a “mente livre”. Os líderes sempre devem estar com a capacidade de pensar com clareza.
5.4.Sóbrio – Gr. Sophron – auto-controlado, moderado, prudente e sensato. John Macarthur diz que “um homem prudente é disciplinado, sabe ordenar suas prioridades e é sério em assuntos espirituais.
5.5.Modesto – Gr. Kósmios – ordeiro ou de boa conduta, decente ou honrado. Os líderes não podem levar uma vida desordenada, se não podem ordenar a própria vida como irão por ordem na igreja de Deus?.
5.6.Hospitaleiro – Gr. Philoksenos. O termo grego é um composto de duas palavras que significa literalmente “amar os estranhos”. Aqui significa que a vida e o lar do líder devem estar abertos para que todos possam ver seu caráter espiritual. Sua casa deve sempre está aberta tanto aos viajantes como aos membros da igreja.
5.7.Apto para ensinar – Gr. Didaktikos – capaz de ensinar, habilidoso ou apto para ensinar. Significa qualificação e disposição para ensinar. Esta palavra no original só aparece aqui e em 2 Tm 2.24. John Macarthur observa que esta “é a única qualificação que se relaciona com os talentos e dons espirituais de um presbítero, e a única que distingue um presbítero de um diácono. A pregação e o ensino da palavra de Deus é o dever principal do supervisor, pastor e presbítero (4.6; 11,13;5.17; 2 Tm 2.15,24; Tit 2.1).
5.8.Não dado ao vinho – Gr. Paroinos – embriagado, apegado á bebida. Alguém que mantém a bebida ao seu lado. O líder não deve ter reputação de bebedor e o seu juízo nunca deve ser nublado com o álcool. Seu estilo de vida deve diferenciar-se por completo do mundo e conduzir os demais à santidade e não ao pecado (Rm 14.21).
5.9.Não violento – Gr. Plektes – truculento, briguento, homem violento. No original grego mantém o sentido de “um dador de murros”. Isto significa que os líderes devem analisar as situações difíceis com calma e amabilidade (2 Tm 2.24,25), e em nenhuma circunstância com violência física.
5.10. Não avarento – Gr. Aphilargyros – não apegado ou amante do dinheiro; altruísta; não ganancioso. Os falsos mestres e falsos profetas são os que agem sempre motivados pelo dinheiro ou pelo que vão ganhar.
5.11. Governe bem a própria casa – Gr. Tou idiou oikou kalôs proistámenon –liderar, administrar, dirigir ou cuidar bem da família.
5.12. Neophytos – Gr. Recém-plantado, novo convertido. Os líderes devem ser selecionados dentre aqueles que possuem maturidade dentro da congregação. Os neófitos estão sujeitos a cair na “sentença recebida pelo diabo”.
O teólogo anglicano John Stott aponta alguns princípios que devem ser observados em relação à chamada de obreiros para o Ministério.
Direção
Primeiramente devemos fazer a distinção bem clara entre vontade universal e vontade especifica de Deus.
1. Vontade universal ou geral (Rm 8.29)
a) É a vontade de Deus para todo o seu povo, isto é, ela é a mesma para todos, em todos os lugares e em todos os tempos.
b) Essa vontade diz que todos devemos ser como Cristo.
c) É a vontade que não varia de pessoa para pessoa.
d) Essa vontade geral está revelada nas Escrituras sagradas.
e) É formada por princípios que se aplicam ao contexto histórico o qual é vivenciada.
f) É encontrada na Bíblia Sagrada, a palavra de Deus.
2. Vontade especifica
a) É a vontade de Deus para pessoas especificas, em lugares específicos e em tempos específicos.
b) É a vontade que difere de pessoa para pessoa.
c) É a vontade que tem a ver com nossas escolhas pessoais ou diárias.
d) Não se encontra de forma especifica na Bíblia.
2.1. Já que a Escritura não mostra de forma detalhada a vontade especifica de Deus para nós, devemos ficar atento para alguns princípios que nos ajudarão a descobri-la.
2.1.1. ceder ou dar lugar – devemos ceder ou dar lugar aos propósitos de Deus em nossa vida. Se não estamos dispostos a nos render , então estamos colocando obstáculos em nosso caminho (Sl 25.9)
2.1.2. orar – Deus não irá mostrar a sua vontade especificamente a nós até que oremos sobre isso. É preciso expressarmos esse desejo em oração (Mt 7.7)
2.1.3. Falar – nossas decisões, escolhas e desejos devem ser compartilhados com outros. É em um contexto de comunhão que Deus fala conosco (Pv 13.10; At 13.1-4).
2.1.4. Pensar, ponderar – Ele nos guia através de nossa razão que pensa cuidadosamente em cada situação, seus prós e seus contras (Sl 32.8-9)
2.1.5. esperar – não adianta apressar e ficar impaciente com Deus, é necessário esperar (Mt 2.13).
Vocação
Em um sentido secular a palavra vocação é entendida como aquilo que nós fazemos ou realizamos. Todavia no sentido bíblico a vocação diz respeito àquilo que Deus nos chamou a fazer (Gl 5.8; 1 Pe 1.15; Rm 8.28; Hb 9.15).
Aqui devemos fazer mais uma vez a diferença entre vocação como um chamado universal e vocação como um chamado especifico.
1. Universal
1.1. Ter comunhão com Jesus Cristo (Jo 17.3).
1.2. Ter liberdade (Gl 5.13)
1.3. Ter paz (Cl 3.15)
1.4. Sermos santos (1 Co 1.2; Rm 1.7)
1.5. Testemunhar (1 Pe 2.9).
1.6. Sofrimento (1 Pe 2.20-21)
1.7. Glória (Hb 3.1; fp 3.14)
2. Específico (1 Co 7.20)
Ministério
É necessário fazermos distinção entre o ministério em um sentido mais geral e aquele mais especifico.
1. Todos os cristãos, sem exceção são chamados a ministrar. Nem todos os cristãos são chamados para o ministério, mas para ministrar (diakonia).
2. Existe uma variedade de ministérios ou serviços (At 6.1-4)
3. O nosso chamado ou ministério é determinado pelos nossos dons.
As qualidades pessoais do obreiro
1. O senso do fardo
Ministrar é difícil. É trabalho exaustivo. As recompensas materiais não são tão grandes como as oferecidas em muitas outras ocupações enquanto os seus problemas e exigências são no geral muito maiores. Ele é constantemente chamado para envolver-se em experiências que o exaurem física, mental e emocionalmente. Somente uma única recompensa pode fazer com que o ministério seja digno daquilo que ele exige do homem: a satisfação espiritual de carregar um pequeno fardo para Ele, que levou um grande fardo por nós.
2. Sinceridade
Um dos traços básicos de um ministro é a sinceridade. Nada irá afastar mais depressa uma congregação do que o fato dos membros considerarem o pregador como um hipócrita; e nada, por outro lado, irá tornar o povo mais receptivo ou mais disposto a revelar faltas do que uma convicção profunda de sinceridade por parte do Ministro. A sinceridade é a base para a eficácia do ministro, e sem ela ele tem pouca probabilidade de sucesso.
3. Entusiasmo
Paulo mostrou esta qualidade quando proclamou a Palavra “com lágrimas publicamente e também de casa em casa” (At 20.19-20). É o entusiasmo que gera a coragem de falar de nossas convicções mesmo que nosso emprego ou nossa vida estejam em risco. Com o entusiasmo vem o otimismo, o ministro deve ser otimista. Ele não deve deixar que sua chama se apague quando outros estiverem prontos para desistir; não deve fugir das nuvens escuras enquanto houver luz. A espécie de entusiasmo ao qual nos referimos não é uma efervescência que borbulha na superfície sem nada por baixo. O ministro não deve tornar-se tão irreal em seu otimismo que a sua sinceridade possa ser posta em duvida. Pelo contrario, este entusiasmo deve ser equacionado com uma firme convicção de que, pelo poder de Deus, temos a fé que vence o mundo.
4. Humildade
Todo membro de igreja sabe o que alguns pregadores não sabem: o publicano na história de Jesus daria um pregador muito melhor do que o fariseu. Existe uma tendência do mundo para exaltar o pregador, e infelizmente, existe uma tendência por parte dos pregadores de aceitarem isso. Um número excessivo de pregadores exige louvor constante como um estímulo para o seu entusiasmo. Eles não se mostram dispostos a realizar quaisquer tarefas sem receber em troca cumprimentos e apertos de mão. A alegria que sentem ao saber do sucesso de outro pregador é tingida de uma certa tristeza e inveja.
5. Mansidão
A mansidão é aquela qualidade de não se sentir facilmente insultado. Algumas vezes esta qualidade é chamada de “pele grossa”, e o oposto de mansidão é tido como “sensibilidade excessiva”. O ministro deve combinar a pele de um crocodilo com a gentileza de uma pomba. Ele deve ser sensível às necessidades daqueles com quem trabalha, e ao mesmo tempo insensível às farpas atiradas contra sua pessoa e às de sua família. A mansidão é a resposta que a humildade dá ao ataque. Assim como é objeto de muito louvor, o ministro também é alvo de muitas críticas. Em tais ocasiões, como certamente haverá, ele deve conduzir-se como o fizeram Moisés, Estevão, Paulo e Jesus: não retribuir com sarcasmo, maledicência, ou calúnia, não dividir a igreja enquanto tenta justificar-se; pelo contrario, deve retribuir o mal com o bem, orando por aqueles que o prejudicaram, e amando a seus inimigos. Muitas acusações devem ficar sem resposta e os que se apressam em mandar imprimir uma justificação de seus atos geralmente acrescentam mais lenha na fogueira sem qualquer resultado proveitoso.
6. Paciência
Da mesma forma que um diamante bem lapidado, a paciência tem muitas facetas: determinação, longanimidade, firmeza, resignação, fortaleza, perseverança, domínio próprio. Os alvos dos ministros, são em sua maior parte, são objetivos a longo prazo que levam anos para ser alcançados, e mesmo então seu trabalho não está terminado. O trabalho do ministro é plantar e regar e “cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho” (1 Co 3.8). Com muita freqüência os ministros tendem a medir seu trabalho em termos humanos e não divinos. No registro de Deus o homem é recompensado pela sinceridade e diligência de seu trabalho, e não pelo número de acréscimos ou pela importância da contribuição. O “acréscimo” é tarefa de Deus. O ministro não deve ficar excessivamente desanimado quando não ocorre o acréscimo, nem exaltar-se demais quando ele ocorre.
7. Pureza
O ministro além de achar-se sob observação especial, ele também se encontra sob tentação especial.
O ministro deve tomar precauções extraordinárias a fim de cetificar-se de que nenhuma acusação moral possa ser feita contra ele – seja ela verdadeira ou falsa. Ele não deve de modo geral, por exemplo, fazer uma visita à casa de uma mulher sozinha sem estar acompanhado de sua esposa ou de outro homem. Se estiver sozinho em seu escritório na igreja, deve deixar a porta aberta quando uma mulher entrar para falar com ele. O ministro deve ter também cuidado com suas mãos, nunca se mostrando disposto a rodear as mulheres com os braços. Um aperto de mãos deve bastar.
O pregador deve defender os altos padrões de moral e viver e pensar de acordo com o que prega. A literatura que lê e os filmes que assiste devem ser do tipo por ele recomendado ao público.
Se essas sugestões parecem extremas, basta lembrar dos muitos pregadores eficazes cujo trabalho ficou perdido e cujas congregações se dividiram seja devido a atos imorais ou acusações nesse sentido feitas contra o ministro.
8. Competência intelectual
Paulo instou com Timóteo: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).
O pregador não deve ser apenas acima da média quanto à sua capacidade mental, mas deve interessar-se pelas pesquisas intelectuais. Sua mente é a sua ferramenta básica, e ela deve ser suprida com amplo conhecimento e ajustada com uma compreensão perceptiva da Palavra de Deus.
9. Boa saúde
Desde que a sua eficácia como ministro da Palavra está diretamente relacionada com a sua saúde, o pregador precisa cuidar de seu corpo. Embora deva trabalhar bastante, deve também programar descanso. Ele precisa de um dia fixou ou dois meios-dias por semana para recreação e ficar livre das responsabilidades. Infelizmente a moderação neste ponto é difícil de encontrar. Muitos ministros parecem recusar-se a tirar um momento de descanso e recreação enquanto outros descansam demais.
10. Liderança
O ministro deve ser um líder. Ele chama para a ação; ele ajuda no planejamento; ele insiste numa resposta; ele não só indica como mostra o caminho. Ele deve ser zeloso, determinado, idealista, bem organizado, diligente e informado – todas essas são qualidade de liderança.
O preparo espiritual do obreiro (estudo na 1ª e 2ª carta de Paulo a Timóteo)
1º - Uma visão correta sobre a sua chamada (1 Tm 1.1)
2º - Uma forte base teológica e doutrinária (1 Tm 1.3; 2 Tm 1.13)
3º - Compreensão e recepção dos carismas (1 Tm 1.18; 4.14; 2 Tm 1.6)
4º - Entendimento correto sobre a sua função sacerdotal ( 1 Tm 2.1-5)
5º - Compreensão clara sobre os pressupostos da prática ministerial (1 Tm 3.1-13)
a) Relacionamentos
b) Comportamentos
6º - Cosmovisão correta sobre a igreja (2 Tm 4.1-5)
a) Indiferentismo
b) Legalismo
c) Heterodoxia
7º - Prática devocional (1 Tm 4.7-8; 2 Tm 1.4-5)
8º - Saber diferenciar poder de autoridade (1 Tm 4.12)
9º - Por a Palavra de Deus no púlpito (1 Tm 4.13)
10º - Conhecer a dinâmica de uma igreja (1 Tm 5.1-2)
11º - Não qualificar o inqualificável (1 Tm 5.22)
12º - Cuidar do corpo (1 Tm 5.23)
13º - Conhecer os problemas sociais (1 Tm 6.1-2)
14º - Não monetarizar o ministério (1 Tm 6.5-10)
15º - Não aceitar o evangelho sem cruz (1 Tm 6.20-21; 2 Tm 1.14; 2.3-13)
16º - Demonstrar habilidade com as Escrituras (2 Tm 2.15)
17º - Diferenciar o sagrado do profano (2 Tm 3.19-21)
18º - Possuir a cosmovisão correta da cultura (2 Tm 3.1-9)
19º - Valorizar as tradições evangélicas (2 Tm 3.14-17)
20º - Não aceitar um evangelho mesclado com fantasias (2 Tm 4.1-5).
José Gonçalves, pastor da AD em Água Branca, Piauí. Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista de Teresina e graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí. Professor de hebraico, grego e teologia sistemática. Autor de Lições Bíblicas da EBD da CPAD, e autor dos livros: Por que Caem os Valentes? (CPAD), As Ovelhas Também Gemem! (CPAD); Defendendo o Verdadeiro Evangelho (CPAD), Davi – as vitórias e derrotas de um homem de Deus (CPAD, co-autor) e Missões – o mundo pede socorro (Ed. Halley). É presidente do Conselho de Doutrina da Convenção Estadual da Assembléia de Deus no Piauí e vice-presidente da Comissão de Apologética da CGADB.

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