Pr. Elinaldo Renovato de Lima *
Um militante gay, que não se identifica, no blog “Missão Pró-LGBT”
, diz que existe homofobia evangélica no Brasil. Em seu manifesto, diz
que é evangélico, com formação teológica, em Seminário Batista. Como sou
um pesquisador, com formação teológica, e também acadêmica
universitária, gostaria de fazer algumas observações e indagações com
respeito e atenção às ideias do autor do documento.
1. O PAÍS QUE MAIS MATA GAYS. Em sua
argumentação, o autor constata que “O Brasil é o País que mais mata gays
no mundo”. Uma das razões porque resolveu encabeçar esse manifesto. Com
todo o respeito que tenho às ideias alheias, mesmo que delas possa
discordar, gostaria de saber quantos homossexuais foram mortos por
evangélicos, nos últimos anos. Em 2011, um grupo gay listou cerca de 295
assassinatos de gays, em todo o País. E não houve um só caso, destacado
como tendo sido praticado por algum pastor, padre, ou mesmo um membro
ativo de uma igreja evangélica. Realmente, gostaria de saber quantos
gays foram mortos por evangélicos. Vemos gays sendo mortos, sim, por
neonazistas, bandidos, ou por disputas passionais, e por ciúmes, dentro
do próprio grupo homossexual. O autor do manifesto sabe disso.
Realmente, há muitas agressões a homossexuais no Brasil. Com o que
nenhum cristão deve concordar.
2. AMOR COM HIPOCRISIA. O manifestante
diz que os evangélicos são hipócritas, porque dizem que amam os
homossexuais, ao mesmo tempo que os odeiam. Muito estranha essa
afirmação. Jesus disse que devemos amar até a nossos inimigos (Mateus
5.44). Não há uma só razão para um cristão sincero odiar um gay ou uma
lésbica. Mas há muitas razões para amá-los, sim. Mas amar não significa
concordar com todas as pessoas e com todos os comportamentos. O autor do
manifesto cita o exemplo do Bom Samaritano, que socorreu o homem vítima
de um atentado, enquanto religiosos passavam de largo. É um texto
clássico contra a falsa religiosidade.
Mas lemos, também, que os fariseus
levaram uma mulher, apanhada no próprio ato de adultério, diante de
Jesus. O Mestre a perdoou, não a condenou, mas não concordou com ela.
Diz o texto: “E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a
mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém
te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu
também te condeno; vai-te e não peques mais” (João 8.10, 11). Jesus a
amou, perdoou-a, mas não concordou com sua prática sexual. Se um cristão
concorda com um comportamento, reprovado por Deus, é cúmplice do
pecado.
Aqui, existe um grave equívoco.
Ativistas homossexuais repetem ao extremo que os evangélicos odeiam os
gays. Por que? Simplesmente porque discordam de seu estilo de vida e de sua prática homossexual.
Será que toda discordância é discriminação? A opinião contrária é
sempre por causa de ódio? Os evangélicos sérios, comprometidos com a
palavra de Deus, discordam da homoafetividade por razões doutrinárias. O
manifestante conhece os textos bíblicos, no Antigo e no Novo
Testamento, que condenam a prática homossexual (Levítico 18.22; 20.13;
Romanos 1.24-27; 1 Timóteo 1.10; 1 Coríntios 6.10 e referências). Quem
desejar, pode ler os textos em referência, inclusive verificando os
termos no original grego.
Lamentavelmente, o segmento LGBT deseja
cercear a liberdade de opinião e de crença. Deseja por atrás das grades
pastores, padres, e outros líderes religiosos que discordam de seu
estilo de vida. Isso é um absurdo total. Se o tal PL 122 ou substituto
dele for implantado, prevendo cadeia para quem discorda dos gays “por
motivos filosóficos”, veremos implantado, no Brasil, o famigerado “crime
de opinião”, que só existe nas mais desumanas ditaduras do mundo!
3. OS EVANGÉLICOS TÊM A BÍBLIA “AO PÉ DA
LETRA”. O documento registra isso. Se um cristão tem a Bíblia como a
palavra de Deus, não pode em sã consciência e honestidade, pregar um
discurso diferente do que consta em suas páginas. A linguagem bíblica,
como conhece o autor do manifesto, tem vários aspectos. Há a linguagem
simbólica, como figuras do Apocalipse e há a linguagem literal, que
traduz ensinos e doutrinas, referentes a fatos, eventos ou prescrições
literais, como na maior parte dos livros da Bíblia. Assim, no caso do
estilo de vida homoafetivo, a linguagem bíblica é tão clara como a luz
de sol, num dia de verão. Não há o que interpretar. Está escrito. É
literal, real, objetivo. Se a Bíblia diz que a relação entre “homem com
homem” “é abominação ao Senhor”, como interpretar diferente? Se a
Bíblia diz que o lesbianismo é prática antinatural, como ensinar ou
pregar de modo diferente?
No Novo Testamento (Romanos 1.24-27), a
palavra de Deus diz que a união homoafetiva é “paixão infame”, ato
“antinatural”, “torpeza”, como dizer de outra forma? O que os
evangélicos comprometidos com a palavra de Deus querem é o direito de
pregar aquilo em que creem. E terem sua opinião respeitada. Se os gays
querem ser respeitados, o que é correto, precisam entender que é um
direito pregar uma mensagem que confronte sua prática sexual. E isso não
quer dizer “ódio” ao “igual”, ou homofobia. Quem agride gays precisa ir
para cadeia, sim. E não quem prega a palavra de Deus.
A Bíblia registra condenação aos que
pregam a inversão de valores espirituais. Diz o profeta Isaías: “Ai dos
que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da
luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo! Ai dos que
são sábios a seus próprios olhos e prudentes diante de si mesmos!” (Is
5.20, 21). A expressão “Ai…” denota condenação. Quem é fiel a Deus e à
sua palavra não pode admitir tal comportamento.
4. EVANGÉLICOS QUEREM IMPOR SEU ESTILO
DE VIDA À POPULAÇÃO. Assim como os homossexuais, os evangélicos são
minoria, no País. E não querem “impor” seu estilo de vida à população.
Quem deseja impor seu estilo de vida à nação é o segmento LGBT. Haja
vista a pressão para que o governo brasileiro implante o programa
“Escola Sem Homofobia”, a começar do ensino a crianças. O autor do
manifesto sabe bem o que isso significa. Querem ensinar a prática
homossexual a crianças de jardim de infância, de pré-escola, de ensino
fundamental.
Uma Cartilha sobre sexo ensina a
masturbar bebês de quatro meses! Para que eles sejam viris quando
ficarem adultos! Esse tipo de (des) educação, dita “avançada”, pretende,
sim , impor a homossexualidade como um estilo de vida aceitável para
todos. Uma proposta, do maior interesse dos homossexuais, pretende
eliminar dos documentos pessoais, os termos “pai” e “mãe”. Termos que
são patrimônio linguístico de povos e nações, ao longo de milênios!
Querem impedir que se promovam comemorações do dia dos Pais e das Mães,
para não constranger “famílias homoafetivas”. A que ponto poderemos
chegar, se esse segmento conseguir impor suas pretensões!
5. DE QUE LADO ESTÁ A FOBIA? Do lado
homossexual ou dos evangélicos? Com toda a segurança a fobia está do
lado LGBT. Não se vê, na mídia, um só caso de evangélico atacando grupos
gays, invadindo recintos frequentados por eles, desrespeitando seu
ambiente. Mas, só nos últimos dias, vimos, na TV ou na internet, casos
absurdos de falta de respeito, intolerância e agressão a evangélicos,
motivados pela revolta dos homossexuais pela indicação do Deputado Marco
Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de
Deputados.
Em Belém, homossexuais invadiram uma
igreja, e protagonizaram total desrespeito ao recinto de culto; duas
lésbicas se beijaram e se deixaram fotografar para mostrar seu
comportamento em publico; um bispo católico estava dando uma
entrevista, e militantes gays invadiram a emissora e jogaram água no
religioso, um senhor de idade, além de tirarem parte da roupa em
público; a fobia está do lado de quem não tem serenidade; de quem
agride, desrespeita e achincalha a quem discorda de suas ideias. Não
vejo homofobia, e sim, heterofobia explícita, ou evangélicofobia do lado
dos gays.
6. CONCLUINDO. Desejo usar texto do manifesto, em que os evangélicos são exortados pelo autor do documento: “Que
esse rebanho de Deus, em algum momento perceba que é necessário, acima
de tudo respeitar o próximo – se não conseguem simplesmente amar como
Cristo ordenou. E isso implica em cada um cuidar da sua própria salvação
e não em obrigar os outros a aceitar as suas opiniões, que muitas vezes
caem em agressões verbais e físicas, ao invés de demonstrações de amor e
ternura como bem cabe a um cristão”. Concordo, desde que a
recíproca seja respeitada. Que os homossexuais não queriam “obrigar os
outros a aceitar suas opiniões, que muitas vezes caem em agressões
verbais e físicas”.
Como cristão, que entende que a Bíblia é
a palavra de Deus, inspirada, revelada, e inerrante, espero ter o
direito de pregar seus ensinos, em qualquer lugar e por qualquer meio.
Afinal, estamos numa Democracia. Entendo que não deve continuar essa
“guerra” entre homossexuais e evangélicos. Que os homossexuais tenham
seus direitos assegurados, como cidadãos brasileiros. E que os
evangélicos, de igual modo, tenham o sagrado direito de pregar o
evangelho, “por todo o mundo” e “a toda a criatura”, como Cristo
ordenou. Que se desarmem os espíritos; que o amor, a consideração e o
respeito prevaleçam. Que Deus abençoe a todos.

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